As Vasculites Autoimunes são um grupo de doenças inflamatórias crônicas que afetam os vasos sanguíneos, podendo comprometer artérias, veias e capilares de diferentes tamanhos. Essa inflamação causa espessamento e estreitamento das paredes vasculares, dificultando o fluxo sanguíneo e podendo levar a lesões em órgãos como pele, rins, pulmões, nervos e articulações.
Os sintomas variam conforme o tipo e os órgãos acometidos, mas podem incluir manchas ou feridas na pele, lesões purpúricas em membros inferiores (pequenas manchas arroxeadas/ avermelhadas que não desaparecem à pressão, causadas por sangramentos sob a pele), febre persistente, cansaço, perda de peso, dores musculares e articulares, formigamento ou dormência nas extremidades, tosse com sangue, falta de ar e/ou dor abdominal. A intensidade e a combinação dos sintomas dependem do tipo específico de cada vasculite.
As Vasculites Autoimunes têm origem em uma resposta anormal do sistema imunológico, que passa a atacar os próprios vasos sanguíneos. Embora a causa exata ainda não seja completamente esclarecida, acredita-se que fatores genéticos, infecciosos, ambientais e medicamentosos possam estar envolvidos. As vasculites autoimunes são classificadas de acordo com o calibre dos vasos afetados:
Vasculites de médios vasos: como a Poliarterite Nodosa, que compromete artérias médias e pode causar dor abdominal, neuropatia e lesões cutâneas nodulares, e a Doença de Kawasaki, mais frequente em crianças, associada a febre e alterações nos vasos coronários.
Vasculites de pequenos vasos: englobam a Granulomatose com Poliangiite (Wegener), com inflamação de vias aéreas, pulmões e rins; a Vasculite Eosinofílica com Granulomatose (Churg-Strauss ou EGPA), que associa asma e eosinofilia; e a Vasculite por IgA (Púrpura de Henoch-Schönlein), que causa púrpura, dor abdominal e artralgia, principalmente em crianças.
Essas classificações ajudam a direcionar o diagnóstico e o tratamento, conforme o padrão de órgãos acometidos e a gravidade da inflamação.
O diagnóstico é complexo e exige uma avaliação detalhada feita pelo reumatologista, associando histórico clínico, exame físico e exames laboratoriais (como pesquisa de ANCA, função renal e marcadores inflamatórios). Em muitos casos, são necessários exames de imagem (angiotomografia, ressonância ou ultrassonografia vascular) e/ou biópsias para confirmar o tipo e a gravidade da inflamação. O diagnóstico precoce é essencial para evitar danos irreversíveis aos órgãos.
O tratamento tem como objetivo controlar a inflamação e prevenir recaídas, utilizando corticosteroides, imunoduladores (p. ex. hidroxicloroquina) e/ou imunossupressores, como azatioprina, micofenolato, metotrexato, entre outros. Em casos graves, pode ser indicada imunoglobulina intravenosa, ciclofosfamida, rituximabe ou outras terapias imunobiológicas. O acompanhamento deve ser individualizado e frequentemente multidisciplinar, incluindo nefrologia, pneumologia e neurologia, conforme o órgão envolvido.
Em resumo, as Vasculites Autoimunes são doenças inflamatórias sistêmicas que exigem diagnóstico precoce e tratamento cuidadoso para evitar danos permanentes aos órgãos.
O acompanhamento regular com o reumatologista é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento, ajustar as medicações e prevenir recaídas.
O controle rigoroso da doença, aliado a hábitos de vida saudáveis e ao seguimento médico contínuo, é essencial para manter a estabilidade clínica e preservar a qualidade de vida do paciente.

Reumatologista
CRM/PR 35002 – RQE 28931
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