"Espondilite" ou Espondiloartrite

O que é a "Espondilite" ou Espondiloartrite?

 As espondiloartrites (EpA) representam um grupo de doenças distintas que compartilham características comuns, como o acometimento da êntese (inserção do tendão no osso), a associação genética com o HLA-B27, o envolvimento das articulações sacroilíacas e manifestações extra-articulares. Essas doenças incluem espondilite anquilosante, artrite psoriásica, artropatias enteropáticas, artrite reativa, espondiloartrites indiferenciadas e juvenis. As manifestações podem afetar tanto o esqueleto axial (coluna vertebral) quanto periférico (outras articulações e olhos), além de outras manifestações associadas como doença inflamatória intestinal e psoríase.

  A apresentação clínica das espondiloartrites é variável, podendo iniciar com dor lombar inflamatória, rigidez matinal prolongada e melhora com o movimento, além de dor em articulações periféricas e nos pontos de inserção dos tendões. A evolução costuma ser lenta e progressiva.

Causas e fatores de risco

 A origem das espondiloartrites está relacionada com a interação entre o sistema imunológico e desrregulação do sistema digestivo, genitourinário e/ou pele. Estudos recentes mostram que a disbiose intestinal, associada as espondiloartrites, pode ativar células de defesa que migram para articulações, causando inflamação. Outros fatores incluem estresse mecânico sobre a êntese, levando a microtraumas e inflamação.

Diagnóstico

 Para o diagnóstico de Espondiloartrites, um histórico médico detalhado é essencial. A investigação deve incluir a presença de dor lombar crônica (por pelo menos três meses), iniciada antes dos 45 anos, associada a dor noturna que melhora com exercício e uso de anti-inflamatórios. Além disso, deve-se considerar a ocorrência de uveíte (inflamação ocular), dactilite (“dedo em salsicha”), artrite, entesites (como no tendão de Aquiles), e/ou associações com psoríase e doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa). O exame físico deve ser detalhado, incluindo um exame musculoesquelético completo.

     Alguns testes laboratoriais podem auxiliar no diagnóstico, como a proteína C-reativa (PCR) e a velocidade de hemossedimentação (VHS). O teste de HLA-B27 é útil em casos de suspeita de espondiloartrite axial. Exames de imagem, como ressonância magnética, ultrassonografia e/ou raio-X, também são importantes para auxiliar no diagnóstico e avaliar a extensão da doença.

Tratamento

  Os objetivos do tratamento são alívio da dor, rigidez, inflamação e fadiga, melhorando a função, mobilidade e qualidade de vida, além de minimizar a progressão da doença.  Tratamentos incluem anti-inflamatórios não-hormonais (AINH), metotrexato e/ou leflunomida para artrite periférica, e imunobiológicos para inflamação da coluna lombar, articulações e/ou manifestações extra-articulares (uveíte, doenças inflamatórias intestinais e/ou psoríase).

Prognóstico

 O prognóstico da Espondiloartrite varia de pessoa para pessoa, mas o tratamento adequado pode ajudar a controlar a doença e melhorar a qualidade de vida. Em alguns casos, a doença pode levar a danos articulares permanentes e incapacidade, mas com os avanços nos tratamentos, muitos pacientes conseguem levar uma vida ativa e produtiva.

Reumatologista

CRM/PR 35002 – RQE 28931

Importância do Acompanhamento Médico

 O acompanhamento regular com um reumatologista é fundamental para monitorar a progressão da doença, ajustar o tratamento conforme necessário e prevenir complicações. É importante que os pacientes sejam proativos em relação ao seu próprio cuidado, seguindo as orientações médicas, tomando os medicamentos conforme prescritos e adotando um estilo de vida saudável.

 Em resumo, a Espondiloartrite é uma doença crônica que requer um tratamento multidisciplinar e contínuo para controlar os sintomas, prevenir danos e melhorar a qualidade de vida.

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Dra Anauá Cavalcante

Reumatologista

CRM/PR 35002 – RQE 28931